Secretária de Saúde reconhece surto de malária na PB

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Com o décimo caso confirmado de malária na Paraíba, no município do Conde, no Litoral Sul, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) admite que o Estado está vivendo um surto da doença. A hipótese mais considerável da Vigilância Epidemiológica do Estado é que algum turista proveniente de uma região endêmica da malária tenha chegado doente ao município.

“Na Paraíba temos a presença, em quase todos os municípios, do mosquito transmissor da malária. O que é mais provável de ter acontecido é que alguém adoecido chegou ao município (Conde), foi picado pelo mosquito sadio aqui e ai esse mosquito transmitiu a doença para outras pessoas. O Conde tem a maior densidade do mosquito Anopheles, transmissor da malária. Então, para quem mora lá as chances de contrair a doença são maiores do que em outras cidades”, explicou Amanda Soares, responsável técnica da Malária da SES.

Ela reforçou ainda que os dois últimos casos confirmados, que foram divulgados pela SES ontem, foram identificados a partir da busca ativa, que está sendo feita no Conde pelos agentes de saúde. De acordo com Amanda Soares, o município enfrenta o terceiro ciclo da doença, que começou a reaparecer em março deste ano. “A gente tem a concepção de que esses últimos casos que estão aparecendo são reflexo da busca ativa que os profissionais estão fazendo nas casas, principalmente onde houve casos. Tivemos pessoas diagnosticadas rapidamente e tratadas de imediato. Isso também é uma maneira de amenizar a proliferação da doença”, destacou.

Os casos divulgados nessa terça-feira (4) pela SES são de dois homens, um de 51 anos que é morador de Jacumã, e outro de 58, que mora em um assentamento, também no Conde. Os dois foram atendidos no Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa, e seguem internados em estado de saúde considerado estável, segundo informou a assessoria de comunicação da instituição.

Casos de malária confirmados (em 2019):

1º caso. 29 de março – Mulher de 35 anos. A paciente foi levada ao HULW dia 29 de março com quadro de febre e anemia. A doença foi confirmada e ela foi liberada dia 2 de abril.

2º caso. 5 abril – Homem de 53 anos. Foi medicado e liberado no dia 12 de abril.

3º caso. 10 de abril – Mulher 40 anos teve o diagnóstico após um teste rápido. Recebeu alta no dia 23 de abril.

4º caso. 3 de maio – Homem de 64 anos. Deu entrada no HULW no dia 3 e recebeu alta no dia 8 de maio.

5º caso. 21 de maio – Mulher de 27 anos. Deu entrada no HULW, segundo a SES.

6º caso. 25 de maio – Mulher de 26 anos, moradora do Bairro dos Estados, em João Pessoa. Deu entrada no HULW no sábado, dia 25 e permanece em tratamento no hospital.

7º caso. 31 de maio – Homem de 25 anos, morador do Conde. Está em tratamento no município.

8º caso. 1º de junho – Mulher de 52 anos. Foi atendida no HULW e está internada.

9º caso. 04 de junho – Homem de 51 anos, morador de Jacumã/Conde. Está internado no HULW em estado estável.

10º caso. 04 de junho – Homem de 58 anos, morador de um assentamento no Conde. Está internado no HULW em estado estável.

MAIS DE MIL CASOS DE DENGUE POR MÊS

A Paraíba registrou este ano 5.168 casos prováveis de dengue, conforme balanço divulgado ontem pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), o que significa uma média de 1.033 casos por mês. Os dados trazem também um aumento de 12,25% de casos prováveis da doença com relação ao mesmo período de 2018.

Além da dengue, a SES também registrou aumento em casos suspeitos de chikungunya, que saltaram de 401, em 2018, para 453 este ano. Já com relação a zika houve uma redução de 2,32% dos casos, caindo de 129, em 2018, para 126 este ano.

“Observamos a necessidade de qualificação assistencial principalmente para aqueles casos suspeitos de arboviroses em crianças e adolescentes. Reforçamos também a necessidade de implementação dos planos municipais de contingência para arboviroses, principalmente no trabalho de campo e mobilização da rede local”, informou a gerente executiva de Vigilância em Saúde da SES, Talita Tavares. Ainda conforme a SES, os municípios da Paraíba com maior incidência das três doenças são: Alagoa Nova, Araruna, Areia, Baraúna, Caaporã, Cacimba de Dentro, Casserengue, Conde, Esperança, Juripiranga, Lagoa de Dentro, Lucena, Maturéia, Princesa Isabel, São José de Princesa, São Sebastião do Umbuzeiro, Sertãozinho, Taperoá e Teixeira.

“Dessa forma, a SES orienta a intensificação das ações de campo de combate ao Aedes e o reforço das buscas ativas de casos suspeitos para detecção precoce dos casos, evitando-se o agravamento”, informou o boletim.

Mortes. O boletim informou ainda que foram registrados 24 óbitos por arboviroses (doenças causadas pelos vírus da dengue, zika, chikungunya), sendo: dois confirmados para dengue (Araruna e João Pessoa) e um confirmado para Zika (João Pessoa). Oito óbitos foram descartados Alagoa Nova (1), Areia (1), Campina Grande (2), Sousa (1), Serra Redonda (1), Soledade (1) e Umbuzeiro (1), todos após a realização de exames e investigação do município.

Entre os casos sinalizados como óbitos suspeitos de arboviroses 58,3% tinham idade abaixo de 15 anos. Somando-se a este fato os dois casos confirmados (um de dengue e um de zika) são crianças de cinco anos abaixo.

13 ÓBITOS EM INVESTIGAÇÃO

Bayeux (1), Cacimba de Areia (1), João Pessoa (4), Campina Grande (2), Conde (1), Fagundes (1), Junco do Seridó (1), Santa Rita (1) e Solânea (1). Dos óbitos que estão em investigação, quatro foram notificados pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO), o que remete a exames mais específicos junto aos laboratórios de referência que, em média, demoram 30 dias.

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